Assim nasceu a Secretaria das
Mulheres Catadoras de Materiais
Recicláveis do Estado de São Paulo
O I Congresso das Mulheres Catadoras do Estado de São Paulo foi realizada nos dias 01 e 02 de agosto de 2014, na cidade de Ourinhos, com a participação de 236 catadoras de 38 municípios do Estado de São Paulo, que teve como principal deliberação a criação da Secretaria das Mulheres Catadoras do Estado de São Paulo do MNCR.
Na abertura do evento, Maria Mônica da Silva, do Comitê do ABC, comenta que é necessário que ocorram mudanças na gestão do Movimento Nacional dos Catadores "pelo fato das mulheres serem mais de 80% da categoria no Brasil, e as decisões não estar também nas mãos das mulheres". Monica salienta que "as mulheres querem somar forças com os homens para fortalecer o movimento e não rachar. Como pode as mulheres rachar com o movimento se elas são mais de 80%?", pergunta. As catadoras, segundo Monica, decidiram que a catadora Matilde de Ourinhos iria fazer parte da Articulação Nacional, no entanto os coordenadores do MNCR, não respeitaram essa decisão e concluiu dizendo que "tem um ditado que diz que o oprimido às vezes vira opressor e isso aconteceu, e as catadoras tem que mudar essa situação".
A abertura, contou com a participação da Prefeita do Município Sra. Belkis Fernandes, da Coordenadora de Estudos e Pesquisas da Secretaria de Políticas para as Mulheres Maria Julia Martins, do Ministério Público do Trabalho do Paraná Margaret Matos e da professora da Universidade do Estado da Bahia e da Unitrabalho Ronalda Barreto.
O desejo da Prefeita Belkis Fernades é que as catadoras consigam atingir seus objetivos que é participar nas decisões do movimento dos catadores e catadoras e que saiam desse evento fortalecidas e conscientes de que o sucesso depende da participação ativa de todas. Maria Julia Martins da SPM, comenta que a luta das catadoras está sendo conduzida com sabedoria em busca da suas autonomias econômicas, pois "mulher que não tem autonomia econômica não tem como ser livre, não tem como ter espaço de decisão e de definir sua vida".
Para Margaret Matos, "o fato das mulheres serem maioria, a participação das mulheres nas decisões tem que ser maior". Para Ronalda Barreto a discussão que está sendo realizada neste Congresso "é da igualdade de direitos, da igualdade de oportunidades, de participação, de reconhecimento e de valorização do trabalho da mulher".
Em relação ao pagamento pelos serviços prestados pelas catadoras e catadoras Ronaldo Barreto comenta que "muitas Prefeituras não querem pagar nada dizendo que as catadoras e catadores vão receber pelos resíduos comercializados, nada disso, são muitos trabalhos embutidos como o trabalho de educação ambiental, o trabalho de proteção ao meio ambiente e uma série de outros trabalhos que são realizados quando se faz a coleta seletiva e que devem receber por isso".
Tudo que é reciclável deve ser encaminhado
para as cooperativa de catadoras e catadoras
Margaret Matos diz que "todas as empresas que estão no município, seja do comércio ou indústria, tem que ter seu plano de gestão de resíduos, ensinar seus funcionários a fazer a separação e tudo que for reciclável elas tem que entregar para as catadoras e catadores. Supermercado e shopping não podem vender material reciclável, tudo deve ser destinada às cooperativas e associações de catadores. E quem deve exigir isso é a Prefeitura e a Prefeitura não deve dar alvará e nem renovar o alvará de funcionamento se a empresa não fizer isso".
Oficinas temáticas contribuem para as
reflexões e desenvolvimento das catadoras
Após a abertura foram realizadas sete oficinas temáticas que contou com a participação ativa das catadoras, com os seguintes temas: Violência contra a Mulher, Juventude, Trabalho de Homem e Trabalho de Mulher dentro das Bases, Mulheres Catadoras Negras, Mulheres e Movimentos Sociais, Troca de Experiências entre Estados, Sexualidade e Políticas Públicas para Mulheres Catadoras.
Pilar Guimarães, participante da oficina "Violência contra a Mulher", comenta que "durante a roda de apresentação as catadoras falaram que nunca haviam sofrido violência e que estavam ali apenas para aprender sobre o tema, e após as reflexões iniciais elas começaram a perceber as violências simbólicas, psicológicas que as mulheres sofrem como resultado do machismo estrutural, que a gente vive na nossa sociedade".
Maria Luciana da Silva, do Comitê ABC, participante da oficina "Trabalho de Homem e Trabalho de Mulher dentro das Bases", diz que a oficina "abriu bastante a cabeça da gente em relação a disputa de gênero dentro das cooperativas" e Viviane Conceição de Souza, também do Comitê ABC, que participou da oficina sobre "Sexualidade" salienta que "foi muito bom o que ouvimos e o que falamos", e que gostou muito pois "as reflexões demonstraram que a superação de preconceitos é fundamental para a felicidade coletiva de todos os que atuam no interior da cooperativa. É um desafio que temos que enfrentar com sabedoria, respeito às diferenças, mudança de valores e amadurecimento", conclui.
Significado deste I Congresso para as mulheres catadoras
do Estado de São Paulo
"Hoje, neste Congresso, as mulheres estão dando uma aula de política, mostrando que ela é a mãe, ela é chefe de família, e ela também sabe discutir política e sabe ir atrás de seus objetivos" é a opinião de Marilza Aparecida de Lima do MNCR do Paraná, que também participou deste I Congresso das Mulheres Catadoras do Estado de São Paulo.
Para Luzia Maria Honorato, do Comitê da Cidade de São Paulo, esse Congresso trouxe "a possibilidade das mulheres catadoras serem mais unidas, mais conscientes dos problemas de suas bases, ampliar o olhar em relação às questões que surgem sobre as mulheres, sobre a questão de formação, a questão de drogadição, a questão de família, enfim possibilitou uma maior integração e comunicação entre as catadoras. Tudo isso contribui para buscar os caminhos para superar as dificuldades do dia a dia que vivemos".
Helena Francisco da Silva, do Comitê Anastácia, entende que o ganho promovido pelo Congresso para as mulheres catadoras foi a aquisição "de ferramentas para a gente enfrentar o mundo lá fora, que é cruel, que é ruim para nós. A mulher catadora não pode mais ficar na invisibilidade", finaliza Helena.
Clotilde da Silva Carnio, do Comitê Oeste Paulista, entende que esse Congresso é uma conquista das mulheres catadoras e que a nível de mundo a "mulher sempre foi discriminada em salários, e em outras esferas, então esse evento está sendo uma conquista para nós".
Claudia da Silva, do Comitê Oeste Paulista, comenta
que "a realização deste Congresso está relacionada
a criação da Secretaria das Mulheres Catadoras do
Estado de São Paulo. Durante reunião da Articulação
que aconteceu em Ourinhos nos dia 27 e 28 de junho
foi levantada a necessidade de criação da Secretaria
das Mulheres para contribuir com a organização e
fortalecimento das mulheres catadoras e do MNCR,
e que o espaço para essa criação é esse Congresso".
Para Matilde Ramos da Silva, do Comitê Oeste
Paulista , esse "I Congresso atingiu seus objetivos
com sucesso, pois possibilitou a criação da Secretaria
das Mulheres, e possibilitou inúmeras reflexões sobre
a realidade da mulher catadora. As catadoras participaram, dialogaram, discutiram, mostrando que tem
muita vontade e competência para construir políticas públicas relacionadas à coleta seletiva visando a
construção de uma sociedade mais justa, solidária e sustentável. Foi muito bom!", finalizou com satisfação.
Cooperativa Central de Catadores e Catadoras de Material Reciclável do Grande ABC - COOPCENT ABC
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